Me perguntaram se tenho depressão. Respondo que sim, não a depressão dos que se cortam, se drogam, se matam. Tenho uma depressão de estimação que crio solta no meu quintal. Brinca comigo e eu com ela. Depressao que vem e vai do nada. Quando vem me acaba. Me sinto frio, deprimido, desgastado... Alimenta-se da minha auto-estima e me leva a viagens que jamais conseguiria sozinho. Do vasto campo da languidez ao profundo oceano de dor e insignificância. Lá onde os detalhes fazem sentido, onde cada pensamento é ouvido, onde nuvens mórbidas maquiam o dia e as lamentações se tornam poesias. A depressão não respeita limites, mas eu tenho a técnica de domesticar animais selvagens. Só penso em escrever quando me sinto depressivo, e de fato escrevo quando sinto que ela começa a me prejudicar. Eu começo a escrever e quando me dou conta, já foi embora, da mesma forma que veio... do nada. As vezes ela me esquece e eu sinto sua falta, então a invoco, com quarto escuro e uma musica melancólica de fundo. Eu tenho uma depressão domesticada. Mansa e tranquila. Minha depressão de estimação.